Da janela da sala

segunda-feira, 7 de julho de 2014


Havia uma garoa lá fora, abri um pouco a janela pra deixar a brisa entrar e meu corpo estremeceu com o friozinho que entrou, fechei-a novamente e fui para a cozinha pegar uma xícara de chá. O aroma de erva-doce tomava conta do ambiente, peguei a pequena xícara de porcelana que contém algumas flores em cor violeta desenhado em volta, despejei o chá  e fui para a sala. O vento frio ainda estava no cômodo, me sentei no sofá como todas as manhãs fazia com ele ao meu lado. Porém todo o processo de ir na cozinha preparar o chá era função dele e não minha. Sei que preciso parar de pensar nisso, mas ainda estou me acostumando com o novo silêncio da casa. Suspirei alto, aliviada ou talvez porque o silêncio estava me incomodando um pouco.

Olhei mais uma vez em direção à janela e pude observar um passarinho pousando no fio de um poste que ligava a um outro poste em certa distância, em seguida outro pássaro se colocou ao lado do primeiro, eles se olhavam e movimentavam os bicos, pareciam que estavam conversando. Seria engraçado dizer que aquela cena me incomodou um pouco. Até os pássaros tinham companhia e eu não? Algo eu devo ter de errado.

Estávamos juntos à 2 anos e meio e nosso relacionamento era normal, igual a todos os outros por aí. Até ele começar aparecer com desculpas esfarrapas no meio da noite em casa, dizendo que estava ocupado demais no serviço ou que acabou a gasolina do carro no meio do caminho. Teve uma vez que ele até foi criativo, dizendo que a mãe estava passando mal e a levou para o Hospital. Liguei para ela no dia seguinte e sua empregada me avisou que ela estava viajando para o Paraná, pois queria conhecer As Cataratas do Iguaçu. Sabia que seria o fim.

Ele tinha outra, e pela primeira vez senti a decepção crescer no meu peito. É um sentimento horrível, uma dor que parece não ter fim. O encarei com todas as forças que tinha em mim, e o fiz sair da nossa casa, minha casa. Espantando essas lembranças para longe, dei mais uma olhada para a janela e os passarinhos ainda estavam lá, só que me encarando, como se estivessem visto um flash back passar por cima da minha cabeça. Olhei para mesinha de centro de madeira antiga, e avistei o celular. Não, eu não preciso disso. Não dele. Levantei do sofá, decidida que o dia iria ser diferente, ia sair por aí e comprar algumas coisas que estavam faltando em casa ou até para mim mesmo. Dei uma última olhada na janela e os passarinhos levantaram voo, compreendi que também estava na minha hora de voar.


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