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O baile de máscaras [parte 2]

30 novembro 2015


O jardim era de um colorido intenso e incrível, mesmo a à noite percebia-se o verdadeiro tom de cada uma delas. Mas quando meu acompanhante passava por perto delas, notei que algumas pétalas das mais exóticas flores caiam e perdiam seu brilho. Talvez fosse bobeira minha. Porém continuei a observar enquanto o jovem Lúcio me conduzia para a entrada do labirinto. Assim que entramos, surgiu em nossa frente dois caminhos opostos, um para esquerda e outo para direita. O da esquerda era de uma vividez incrível e as lâmpadas de sua entrada estavam baixas,  minha vontade era de correr para lá. Lembrava as floretas dos contos que vovó contava pra mim. Perguntei ao meu novo amigo se podíamos ir por alí, pois adoraria aproveitar a paisagem. Ele negou e apontou para o outro lado. Um calafrio subiu pela minha espinha ao me deparar com uma entrada espinhosa e de galhos secos, o que quer que ele quisesse me mostrar por aquele caminho, eu não iria gostar de ver.

— É impossível entrar por alí, olhe os espinhos! — Tentei me desvincilhar da sua mão em meu braço, mas não consegui, ele era muito mais forte do que eu.
— Com jeitinho nós conseguiremos! Meus amigos adorarão lhe conhecer, e a sua beleza. Além do mais, por aquele caminho colorido e que fede a flores do meio dia, você não encontrará o que quer. Tenha certeza, meu anjo! — Ele abriu um meio sorriso e me pôs a sua frente para que continuássemos a andar.

Ele me soltou e fez sinal para que eu esperasse onde estava. Avançou a minha frente e começou a arrancar os galhos soltos com as mãos, os espinhos ao redor agarrava e rasgava seu belo traje, em poucos minutos a entrada agora havia passagem, ele se virou para mim e estendeu a mão. Segurei olhando fixamente em seus olhos que agora me alertavam perigo, desci minha visão novamente para sua mão e percebi que sua roupa havia voltado para o estado normal. Tentei questionar, mas nada saia da minha boca.

— Venha! — Meus amigos lhe esperam! 

Assim que entramos naquele local escuro e sombrio, meu corpo se arrepiou em pensar que eu poderia estar a caminho da minha morte. Não, meu amigo não faria isso comigo. Ele de fato queria me ajudar, não? O plano é ir com ele, pegar minha máscara e sair para aproveitar a festa. Respira, Ágatha. Continuamos a caminhar e virar direitas e esquerdas, não sabia mais onde estava e nem como sairia daquele lugar, caso precisasse. A escuridão era presente e parecia que ele conhecia aquele lugar como a palma de sua mão, não havia tropeços, nem batidas. Ele era ágil e sabia para onde estava indo. Comecei a ouvir vozes e risadas vindo ao nosso encontro, mas ainda não via seus rostos. Consegui captar uma meia luz, e mais vozes. Pareciam ser uma multidão, como se houvesse uma outra festa e... sim, havia uma outra festa. 

Continua...

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